segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O SIGNIFICADO DO SACRAMENTO


SACRAMENTO
O termo “sacramento” (que provém de sacramentum, em latim) é mais antigo e aparentemente de uso mais generalizado que o termo “ordenança”. Na verdade, a palavra “sacramento” não existe na Bíblia. Sua origem é bem estranha às Escrituras. Nos tempos antigos, referia-se a uma certa quantia, depositada em dinheiro, perante o tribunal, por duas partes em litígio. O vencedor da questão tinha sua parte devolvida. O perdedor tinha sua parte confiscada, ao que tudo indica para ser oferecida aos deuses do paganismo. Era o sacramentum.

Com o passar do tempo, a palavra sofreu duas evoluções semânticas, de acordo com Berkhof :
(a) no uso militar do termo, em que denotava o juramento pelo qual um soldado prometia solenemente obediência ao seu comandante”. Note-se, aí, que os cristãos aproveitam essa idéia de obediência, pois, no batismo, o fiel promete obedecer a Cristo, através da profissão de fé. 
(b) no sentido especificamente religioso que o termo adquiriu quando a Vulgata o empregou para traduzir o grego mysterion.” Parece que daí vem a idéia católica de que o batismo tem algo sobrenatural, místico, infundindo graça ao batizando. Entre os cristãos primitivos o termo “sacramento” significavam doutrinas, “selos”, “sinais” ou mesmo “mistérios”.

VISÃO SACRAMENTALISTA DO BATISMO

No século terceiro, havia ensinamentos, procurando provar que o batismo, como sacramento, era “o único meio de obter a remissão de pecados”. Tertuliano dizia que “o batismo liberta-nos do poder do diabo e nos torna membros da igreja como corpo de Cristo. Até crianças pequenas, ele pressupõe, estando contaminadas com o pecado, devem ser batizadas. Seu ensino usual é que o Espirito é recebido no batismo, quando o convertido é ‘ batizado em Cristo, na água e no Espírito Santo” (Kelly, p. 157).



Cirilo de Alexandria ensinava que “o batismo purifica-nos de todas as impurezas, tornando-nos templo santo de Deus”, enquanto Jerônimo reconhecia que “pecados, impurezas e blasfêmias de toda espécie são removidos na pia batismal, sendo que o resultado é a criação de um homem inteiramente novo”.

Agostinho chegava a entender que o batismo eliminava todos os pecados, fossem eles contraídos consciente ou inconscientemente. Tais entendimentos, ainda que oriundos de ensinamentos transmitidos por homens eruditos, e reconhecidos como intérpretes famosos das Escrituras, não estavam nem estão em acordo com o verdadeiro sentido que a Palavra de Deus dá ao batismo em águas.


A Igreja Católica Romana adotou esses ensinos, pregando que “o sacramento é algum rito instituído por Cristo ou pela Igreja, como sinal externo e visível de alguma graça interna e invisível” Mais que isso, segundo Berkhof, a Igreja Católica considera o “sacramento” como algo que “contém tudo que é necessário para a salvação dos pecadores, não precisando de interpretação e, portanto, tornam a Palavra completamente supérflua como meio de graça…”. Por isso, “Os católicos romanos afirmam que o batismo é absolutamente necessário para todos, para a salvação….”
Para esses, os sacramentos são em número de sete, sendo eles o “batismo”, “a confirmação” (crisma), “a penitência”, “a santa eucaristia”, “as santas ordens” (ordenação de sacerdotes), “o matrimônio” e a “extrema-unção”, todos eles transmitindo de alguma forma algum tipo de graça santificante ou salvífica.


O QUE É UMA ORDENANÇA?

A palavra vem do latim, de ordo(inis), relativa a ordinari, “ordenar”. Daí, é que se deriva a palavra ordinans(antis), “ordenança”, significando “uma regra autoritária, um decreto, uma lei, um rito religioso, uma disposição ou posição, um desígnio” .

No AT, a páscoa e a circuncisão eram ordenanças de elevado significado espiritual. Havia ordenança, no sentido da investidura de reis em suas funções; profetas eram ungidos ou ordenados para o ministério.

No NT, vemos que os apóstolos foram ordenados pelo Senhor (Ver Jo 15.16). Em At 6.6, os diáconos foram ordenados para o serviço de socorro aos necessitados. Nesse aspecto, a ordenação é um rito de consagração ou separação de obreiros. Ordenança tem o sentido de “ordem”, “mandamento”, “determinação”.

Os Batistas em geral aceitam apenas duas ordenanças, deixados por Cristo, que são o batismo (cf. Mc 16.16) e a Ceia (Lc 22.17-21; 1 Co 11. 24,25), que em si não transmitem graça ao participante dos mesmos, sendo, contudo, expressões representativas da obediência dos mesmos à vontade de Deus.


A ORDENANÇA DO BATISMO EM ÁGUAS

Como o batismo em águas foi determinado por Jesus (Mc 16.16), os batistas  em geral assumem que é uma ordenança especial, deixada por Cristo à sua igreja. A idéia do batismo como sacramento, no sentido exagerado que lhe é dado, levou certos crentes do quarto e do quinto séculos a entenderem o rito batismal como um sacramento, transmitindo graça salvífica.

Os católicos romanos ensinam que o batismo (feito por aspersão) não é só um mandamento, uma ordenança. É um sacramento, no sentido de transmitir a graça salvadora a quem é batizado. Com isso, querem dizer que uma pessoa não pode ser salva se não for batizada, nem mesmo uma criança inocente. Daí, porque batizam criancinhas. Tal sentido, aplicado ao batismo, não tem a aceitação dos batista, e creio dos pentecostais, por carecer de base bíblica para sua efetivação.


O BATISMO NÃO TRANSMITE SALVAÇÃO.

Além da igreja Católica, há certos grupos luteranos e anglicanos, bem como seitas, como os “Testemunhas de Jeová” e Mórmons, que se baseiam numa teologia sacramentalista, segundo a qual o batismo é necessário por transmitir a salvação. Muitos chegam a dizer que “fora do batismo não há salvação”.

Contudo, o batismo em si, como ato simbólico, não tem a virtude de transmitir a salvação, pelos seguintes motivos:

1) Somos salvos pela graça de Deus e não por obras ou ritos externos (cf. Ef 2.8,9). Jesus disse à mulher samaritana que os verdadeiros adoradores haveriam de adorar ao Pai “em espírito e em verdade” (Jo 4.23,24).

2) A salvação resulta da fé individual em Cristo, sendo esta instrumento suficiente para a regeneração (Jo 5.24; 3.36; At 16.31).
3) O batismo não dá origem à fé, e só deve ser ministrado a quem já demonstra tê-la (At 2.41; 9.37; 16.14,15.30-33).

4) o Texto de Mc 16.16 afirma que o condiciona está em crê..e com o resultado de crê o crente é batizado mostrando a todos a quem pertece...Perceba que na continuação do texto diz mas quem não cre está condenado...principio hermeneutico.;.


A Bíblia não pode contradizer-se. A salvação não é por obras, mas pela fé em Jesus. O batismo, como ordenança,  tem os seguinte propósitos simbólicos:

1) Identificação com cristo. “para os crentes, … simboliza a identificação com Cristo. No batismo, o recém convertido testifica que estava em Cristo, quando Cristo foi condenado pelo pecado, que foi sepultado com Ele e que ressuscitou para a nova vida nEle”.
2) Morte para a velha vida. “O batismo indica que o crente morreu para o velho modo de viver e entrou na ‘ novidade da vida’, mediante a redenção em Cristo. O ato do batismo nas águas não leva a efeito essa identificação com Cristo, ‘ mas a pressupõe e a simboliza”.
3) Identificação com a Igreja. “O batismo nas águas também significa que os crentes se identificaram com o corpo de Cristo, a Igreja. Os crentes batizados são admitidos na comunidade da fé e, com sua atitude , testificam publicamente diante do mundo sua lealdade a Cristo, juntamente com o povo de Deus”.

Desse modo, o batismo não salva, mas confirma a fé. É sinal legítimo, exterior, da obediência, da vida de quem já é salvo (Ver Gl 3.27; 1 Co 12.13). É um ato de fé genuína, que precisa ser acompanhada de obras de salvo, indispensáveis ao bom testemunho cristão (Ver Rm 2.6; Tg 2.14; Mt 5.16; Ef 2.10).

Deve ser um ato natural, em seqüência à conversão. Entre os crentes, nos primórdios da Igreja, dificilmente se encontrava alguém que não houvesse sido batizado em águas, algumas vezes logo após a aceitação a Cristo (cf. At 8.37,38; 16.33; 18.8). Aliás, é interessante que se busque a razão pela qual um crente, com muitos anos de convertido, não seja batizado em águas. Nada justifica tal situação, a não ser que um impedimento de ordem espiritual, moral ou legal subsista. Neste caso, a pessoa precisa de orientação e ajuda na busca da solução de seu problema. Em algumas igrejas, as pessoas só podem assumir cargos ou funções eclesiásticas se forem “membros do Corpo de Cristo”, condição que se completa, na comunidade cristã, após o batismo em águas.
Contribuição: Pr. Leonardo da Costa

1 Comentário:

Anônimo disse...

gostei

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